terça-feira, 10 de junho de 2008

O apanhador de desperdícios

por Manoel de Barros
"Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fadigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo..."

terça-feira, 6 de maio de 2008

sábado, 29 de março de 2008


Ouvi Teus guizos,
os do mestre,
ou os meus?
Na Tua presença
meu corpo tornou-se
solo fértil
para a flor da minha essência,
Tua luz.
Permita que não Te deixe um só momento.
Que Te sinta em cada pensamento.
Senhor,
Que Te encontre aqui...

sexta-feira, 14 de março de 2008


"...Sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o seu corpo estreitado contra o meu pode preencher."
A.Gorz

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ao ires


" Encontrei palavras que nunca souberá pronunciar"

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008


A casa vazia já não tinha nada de antes
tudo era distância
lembrança do que ali havia sido.
Não reconheci entre os pratos
fatos caros
como juntos "por a mesa".
Apagaram nossos rastros.
Camas separadas no quarto.
A sala: sem janela.
Da porta da varanda
senti-me
pequena dentro dela.
Mesmo agora,
enquanto desfolho as pétalas das rosas que murcharam
porque fui,
sinto-me pequena
não sei se dentro da sala
não sei se dentro de mim...
Sei sim,
que tudo tem começo
meio
e fim
Sei que a porta dos fundos estava aberta
e que tive vontade de ir.
Não se vive duas vezes
nada igual.
Nem as pedras do caminho eram as mesmas
a chuva afastara-as.
E eu juntava
cada pedaço do que era,
do que estava
E de nós...